sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Ô, PSIT! CONHEÇA AS VERDADEIRAS RAZÕES DO FIM DO PROGRAMA "OS TRAPALHÕES"

<Por Guto Olivares, baseado em idéia original de LACARV>
Acima, Mussum em seus áureos tempos. Falta de espaço na programação de humor atual?
[Foto: Montagem do Blog 2001 Vídeo - http://2001video.empresarial.ws/blog/?p=656]
Em primeira mão, o NOTICILÁRIO ® vem descortinar a verdadeira razão do fim deste excelente programa, repentinamente descontinuado da grade da Rede Globo de Televisão anos atrás. Elencaremos OS 7 (SETE) PRINCIPAIS MOTIVOS PARA A EXTINÇÃO d"OS TRAPALHÕES" (música de funeral ao fundo, por favor):

1) Didi Mocó Sonrisal Colesterol Novalgina Mufumbo (ou Didi, para as crianças), nordestino, cearense e como tal, devoto de "Padim Ciço" (nome vulgar de Padre Cícero), era ridicularizado por seus colegas por possuir o crânio bem redondo, grande e achatado na parte superior. "Paraibinha" e "Cabeça de Rapadura" eram adjetivos comumente associados à sua pessoa, algo extremamente constrangedor e que afetava em muito os números de audiência da emissora junto à população do Nordeste;

2) Mussum era negro, pobre, sambista, flamenguista e originário da comunidade da Mangueira. Nada de errado até então, não fosse ele alcoólatra assumido e portador de deficiência na fala, o que fazia com que terminasse suas palavras com o sufixo "is" (como "Cacildis" e "Cachaçis"). Viciado no seu inseparável "Mé", era estimulado constantemente por seus companheiros a continuar bebendo, o que dificultava, em muito, a melhora de seu quadro de dependência. Tão péssimo exemplo foi para as crianças, que hoje sequer se poderia imaginar um personagem nestes moldes num programa infantil veiculado em horário nobre;

3) Além do constrangimento causado por sua deficiência (clinicamente denominada de dislalia), o próprio "Mussa" era também ridicularizado por sua cor e raça. Chamado de "Azul", "Negão", "Azeitona", "Urubu" e outros atributos menos valorosos, o pobre afro-descendente assumia com frequência a posição de menos favorecido intelectualmente no grupo. Postura radical e racista adotada por seus companheiros na época e que nunca seria aprovada nos dias de hoje;

4) Zacharias era o estereótipo do "matuto baixinho". Sua peruca, indumentária que utilizava para ocultar sua vasta calvície, era vez ou outra removida, sem permissão, pelos seus colegas de elenco, expondo-o ao ridículo e à esculhambação direta. Desgostoso com seu papel de abobalhado no grupo, Zacharias teria sido principal influenciador na contratação do personagem Sargento Pincel para participar do programa tempos depois, de modo que, ao menos, quando gritassem "Dá um tapa no careca!", houvesse mais alguém com quem pudesse compartilhar a tirania do ato;

5) Dada sua baixa estatura e aspecto infantilizado, Zaca também entraria para a história como um dos personagens pioneiros da TV a sofrer a ação direta de bullying por seu grupo, o que iria de encontro da proposta atual desta emissora em fazer campanhas a todos os pais contra esta atitude covarde e   traumatizante;

6) Dedé Safona (Dedé Santana) era o boa-pinta, bonitão e conquistador da trupe. Artista revelado pelo mundo circense, era o de físico mais bem preparado para participar das cenas de ação nos filmes, onde invariavelmente dava mortais e cambalhotas, acertando socos no maior número de vilões. Certamente invejosos das peripécias e façanhas do Don Juan marombado do grupo, os outros integrantes criaram uma campanha difamatória do mesmo, acusando-o constantemente de camuflar sua verdadeira identidade e opção sexual gay. Rebaixado à condição de escada para Didi Mocó, Dedé Safona (chamado de "Menina", "Santa", etc.) foi protagonista das primeiras cenas de preconceito sexual da televisão brasileira. Se perdurasse até hoje em dia, certamente o programa acumularia centenas ou milhares de processos judiciais movidos pelos homossexuais, o que poderia inviabilizar financeiramente sua produção;

7) As mulheres eram sempre exibidas como troféus e sem qualquer contribuição intelectual mais relevante aos quadros. Comentários como "Bicho Bão" e "Tesoooouro" eram comuns e expunham o gênero feminino a um papel inferiorizado na sociedade então representada pela atração. Em tempos atuais, com o advento da lei Maria da Penha e de mulheres "presidentas", ministras, primeiras-ministras e apresentadoras-loiras-de-televisão, esta situação tornaria insustentável o programa nos tempos atuais!
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Em 1994, encerrava-se a exibição de episódios inéditos d"Os Trapalhões*" na televisão!
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*"Os Trapalhões" foi um grupo humorístico brasileiro que obteve sucesso na televisão e no cinema desde meados da década de 1960 (...). O grupo era composto por Didi Mocó (Renato Aragão), Dedé Santana, Mussum e Zacarias (Fonte: Wikipedia).

Pra quem os conheceu, e teve sua infância diretamente influenciada por estes ases do humor pueril e simplório, mas extremamente eficaz, sabe o quanto este quarteto deixou saudades...

Este texto é, portanto, uma singela homenagem do grupo NOTICILÁRIO ® a eles, que são nossos inspiradores na tarefa de fazer humor que hoje abraçamos. Nós, os da "pôtrona", deixamos aqui o registro do nosso muito obrigado!

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Guto Olivares é Gerente de Projetos, Engraçadinho, e também Investidor, Escritor, Redator, Orador, Pintor, mas nunca concorreu ao cargo de Senador. Único do grupo que possui um editor de textos com licença original e tem saco para escrever duas linhas de roteiro para o programa e postagens para o Blog. Pisciano, sentimental, e co-fundador do grupo, Guto é o lado emotivo do  NOTICILÁRIO ®, tendo recebido recentemente o titulo de Honoris Grandes Coisas da Academia Real de Trocadalhos do Carilho, em Massachusetts.


2 comentários:

  1. É uma visão do bulling generalizado. Seja como fosse, era tudo uma grande brincadeira. A maldade está dentro dos corações. A vida tem que ser mais leve!
    O programa proporcionava isso!

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    Respostas
    1. Concordamos com você, caro Wesley. A vida tem que ser mais leve... Tem que ter mais humor...
      E essa é a proposta do NOTICILÁRIO: trazer notícias e fatos comuns e aparentemente corriqueiros para uma ótica bem-humorada, ácida e crítica.
      Afinal, não é o fato de você rir de alguma coisa que faz você deixar de pensar e questionar o assunto, não é? (Bem, pelo menos não deveria...)

      E quer Bullying pior do que a Globo nos impõe hoje em dia, com seus Faustos Silvas, BBBs e Fantásticos em sua nobre programação?

      Viva "OS TRAPALHÕES"! Humor e inocência na medida certa!

      Abraços e obrigado pela sua participação!
      Se puder, clique lá embaixo e siga o nosso blog! Você não deve se arrepender...
      Equipe do NOTICILÁRIO

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